domingo, 28 de novembro de 2010

Diretrizes para a formação de professores

Segue o link para o documento:

https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=explorer&chrome=true&srcid=0B9kJzmyQuOaxODUzMTMzMDUtNmI3Zi00MWM1LTk0NWUtZmVkYmVhY2U5ZDBh&hl=pt_BR&authkey=CNSv38cC

domingo, 14 de novembro de 2010

Lei de Diretrizes e Bases da educação Nacional, por Anderson Malaquias


Analisarei, a seguir, alguns artigos da LDB que prevêem a existência de propostas que possam nortear o processo pedagógico das escolas e de todos os sistemas de ensino.

Obs.: Os comentários estão em itálico!

Art. 3 O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;

III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;

Gostaria de destacar neste artigo apenas os itens II e III. Estes, afirmam que o ensino será ministrado com base no pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas e revelam claramente a existência da liberdade de ensinar, aprender e a liberdade da escola em optar pela adoção do método de ensino mais conveniente à sua realidade e a de seus alunos.

Assim a legislação garante às escolas e professores o livre desenvolvimento de ações pedagógicas (projetos), que busquem capacitar e desenvolver cada educando para aprender, pesquisar, manifestar suas idéias e aptidões, para posteriormente seguir sua vocação e formar sua própria consciência e personalidade.

Art. 12 Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:

I – elaborar e executar sua proposta pedagógica;

Art. 13 Os docentes incumbir-se-ão de:

I – participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;

II – elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;

Art. 14 Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:

I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;

Art. 15 Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público.

O ponto mais importante da LDB, pedagogicamente falando, é, sem dúvida, a previsão da existência de uma "proposta pedagógica” (Art. 13), que irá nortear o processo pedagógico das escolas e de todos os sistemas de ensino. Esta proposta, elaborada e executada pela própria instituição de ensino, o que dá a dimensão da sua autonomia, deveria, na minha opinião, orientar todo o projeto tanto administrativo quanto burocrático da escola, além do pedagógico, obviamente (isso nem sempre acontece!). Assim, o projeto pedagógico deve ser confeccionado com a participação efetiva da comunidade, dos alunos, da equipe escolar, levando sempre em consideração as necessidades, limitações, expectativas e potencialidades dos envolvidos, bem como, as condições, os recursos e instrumentos pedagógicos existentes na escola.

Mediante a explicita exigência da lei, à elaboração de projetos pedagógicos que definam a identidade, os objetivos e as práticas a serem desenvolvidas pela escola, estas instituições podem assim, estabelecer metodologias segundo sua própria pedagogia. Ao professor cabe também conhecer as diferentes propostas pedagógicas e recursos didáticos, para escolher o mais apropriado para o ensino que pretende ministrar, nesse sentido a adoção da metodologia do ensino por meio de projetos torna-se, a meu ver, bastante propícia, uma vez que esta postura pedagógica, permite a geração de situações de aprendizagem que favorecem aos alunos à busca de conhecimentos, além de ser uma ferramenta bastante motivadora e que possibilita a integração das áreas do conhecimento evitando ou amenizando o problema da fraguimentação do ensino.

É importante ressaltar também que a LDB em seu 15º artigo, concedeu à escola progressivos graus de autonomia pedagógica, administrativa e de gestão financeira. Esta autonomia significa, na verdade, a oportunidade que a entidade escola tem de construir um espaço de LIBERDADE e de RESPONSABILIDADE (ressalto aqui, a questão da liberdade e da responsabilidade), para elaborar seu próprio plano de trabalho, definindo seus rumos e planejando suas atividades de modo a responder às demandas da sociedade, ou seja, atendendo ao que a sociedade espera dela. A autonomia permite à escola a construção de sua identidade e à equipe escolar uma possibilidade de atuação que a torna sujeito de sua própria prática.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Muito bons os trabalhos/resenhas dos 3 que ja postaram. Continuo aguardando os demais, além dos comentários aos trabalhos dos colegas.
Destaco no do Herman
Enfim, com um objetivo mais pedagógico do que epistemológico...
Com essa ressalva os autores se previnem contra uma das principais críticas a um tipo de interdisciplinaridade que propõe o apagamento das disciplinas. Na aula podemos comentar mais sobre isso. Um dos autores que faz isso é o Veiga Neto.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

PCN´s e PCN´s+ (Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias) por Hermann Schiffer

Aqui analiso os PCN´s e PCN´s+ na área Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, buscando a presença de propostas, parâmetros ou diretrizes que promovam a metodologia de projetos.


Os PCN´s

Neste documento não encontrei explicitamente um incentivo à metodologia de projetos, encontrando mais propostas para o desenvolvimento do projeto pedagógico de cada escola como um todo. Frente às diversas utilizações da palavra projeto busquei compreender o significado da expressão projeto pedagógico e sua diferença com metodologia de projetos. Para André (2001, p. 188, apud. BAFFI, 2002) um projeto pedagógico tem como objetivo "expressar a reflexão e o trabalho realizado em conjunto por todos os profissionais da escola, no sentido de atender às diretrizes do sistema nacional de Educação, bem como às necessidades locais e específicas da clientela da escola". Já Vasconcellos (1995, apud. BAFFI, 2002) acrescenta que este deve "ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, só que de uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa." Podemos distinguir então o alcance de cada uma das expressões, mas reconhecendo o caráter de participação de todos na escola em ambas. Nos PCN´s encontramos, então, tal parâmetro, concordante com o dito acima:

"Entre os desafios, para superar deficiências, carências e equívocos, aponta-se a necessidade da convergência de toda a comunidade escolar em torno de um projeto pedagógico que faça a articulação não só das disciplinas de cada área, mas também de todas as áreas, tendo como objetivo central a realização dos objetivos educacionais da escola, a qualificação e promoção de todos os alunos." (pág. 5)

Na pág. 11 são apresentados Competências e Habilidades da área Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias a serem desenvolvidas pelo aluno de forma a orientar a atuação dos professores, inclusive no âmbito de planejamento e desenvolvimento de projetos (novamente) pedagógicos. Aqui há a sugestão de articulação destes projetos com as outras duas áreas: Linguagem e Códigos e Ciências Humanas. Enquanto isso na pág. 29 são apresentados competências e habilidades a serem desenvolvidas, especificamente, em Física. Esta foi a forma mais explícita, ainda que, ao meu ver, seja pouco, de incentivo aos projetos escolares, mantendo uma proposta demasiadamente abrangente para realmente motivar o desenvolvimento destes.

Há as críticas comuns ao ensino tradicional:

"O ensino de Física tem-se realizado freqüentemente mediante a apresentação de conceitos, leis e fórmulas, de forma desarticulada, distanciados do mundo vivido pelos alunos e professores e não só, mas também por isso, vazios de significado." pág. 22

e o incentivo à uma reformulação do ensino de Física, buscando a significação e contextualização do conteúdo:

"... dar ao ensino de Física novas dimensões..." "apresentar uma Física que explique os gastos da 'conta de luz'... cujo significado o aluno possa perceber no momento em que aprende..." pág. 23

"é imprescindível considerar o mundo vivencial dos alunos, sua realidade próxima ou distante, os objetos e fenômenos com que efetivamente lidam, ou os problemas e indagações que movem sua curiosidade." pág. 23

mas ainda assim não há indicações mais concretas de como realizar esta transformação nos métodos de ensino.

Segue o incentivo à investigação, onde o saber

"passa a ser instrumento para outras e diferentes investigações." pág. 23

"Como ponto de partida, trata-se de identificar questões e problemas a serem resolvidos, estimular a observação, classificação e organização dos fatos e fenômenos à nossa volta segundo os aspectos físicos e funcionais relevantes." pág. 24

Há proposta de problematização, mesmo que esta não seja exclusiva do ensino por projetos. Os exemplos dados (parecem que) ficam limitados à identificar "fotografias a imagens de vídeos, classificando-as segundo as formas de produzi-las, reconhecer diferentes aparelhos elétricos e classificá-los segundo sua função..." (pág. 24). Não encontramos destaque à importância da obtenção de informações, sua análise, interpretação e validação, o que entendemos como essencial à investigação. Estas habilidades e capacidades estão destacadas somente ao término da sessão de Física do documento.

Acreditamos que a capacidade investigativa apresentada é limitada ao reconhecimento da esfera das grandezas e medidas, instrumentos, teorias e leis,..., da Física. Encontramos um distanciamento entre as propostas de ensino investigativo, problematização e habilidades necessárias para tal ensino. Isto é, em certo momento propomos que o aluno busque significado em seu aprendizado ao procurar e utilizar de problemas de seu interesse como objeto de estudo, já em outro esquecemos de reconhecer e instigar certas habilidades e capacidades necessárias à investigação, antes defendidas. O problematizar é somente reconhecer que seu micro-ondas tem certa potência e que trabalha com tal tipo de energia? Ou devemos analisar o impacto desta tecnologia nas demandas de energia ou seus riscos para nossa saúde?

O conteúdo de Física aceito atualmente é justificado neste documento de modo segmentado, em matérias, aparentemente desconexas. Um resultado é a perda de associações e possíveis articulações entre diferentes matérias, entre áreas e disciplinas, proposto na metodologia de projetos.

Os exemplos de utilização do conhecimento em Física são pouco ou nada associados a questões sociais. Eis um trecho como exemplo:

"Assim, o aprendizado de Física deve estimular os jovens a acompanhar as notícias científicas, orientando-os para a identificação sobre o assunto que está sendo tratado e promovendo meios para a interpretação de seus significados. Notícias como uma missão espacial, uma possível colisão de um asteróide com a Terra, um novo método para extrair água do subsolo, uma nova técnica de diagnóstico médico envolvendo princípios físicos, o desenvolvimento da comunicação via satélite, a telefonia celular, são alguns exemplos de informações presentes nos jornais e programas de televisão que deveriam também ser tratados em sala de aula." pág. 27


Os PCN´s +

Neste documento encontramos novamente muitas propostas para desenvolvimento de um projeto pedagógico, mas também maiores incentivos a um projeto escolar, como:

"Só em parte essa integração de metas formativas exige, para sua realização, projetos interdisciplinares, concentrados em determinados períodos, nos quais diferentes disciplinas tratem ao mesmo tempo de temas afins. Mais importante do que isso é o estabelecimento de metas comuns envolvendo cada uma das disciplinas de todas as áreas, a serviço do desenvolvimento humano dos alunos e também dos professores." pág. 16

Este trecho encontra-se na parte A articulação entre as áreas, que propõe exatamente projetos que articulem as diferentes disciplinas, seja na área de humanas ou de exatas. Diversos exemplos são dados envolvendo Química, Biologia, Física e Matemática em que os benefícios da interdisciplinaridade destes projetos estão bem destacados:

"Enfim, com um objetivo mais pedagógico do que epistemológico, é preciso um esforço da escola e dos professores para relacionar as nomenclaturas e, na medida do possível, partilhar culturas." pág 19

"Com certeza, são diferentes as conotações destes conceitos nas distintas disciplinas, mas uma interpretação unificada em uma tradução interdisciplinar enriqueceria a compreensão de cada uma delas" pág 20

À seguir eu deixo a encargo de cada um ler a sua área de interesse, pois diversos temas para projetos são propostos, alguns dentro da disciplina, outros articulados. Biologia pág 56; Química 109 e Física... bem, na parte de Física não há um destaque ao desenvolvimento de projetos, o que me surpreendeu. Há menção e incentivo, mas sem maiores aprofundamentos. Fica então esta minha última crítica.


ANDRE,M. E. D. O projeto pedagógico como suporte para novas formas de avaliação. IN. Amélia Domingues de Castro e Anna Maria Pessoa de Carvalho (Orgs.). Ensinar a Ensinar. São Paulo, 2001.

BAFFI, Maria Adelia Teixeira. Projeto Pedagógico: um estudo introdutório. Pedagogia em Foco, Petrópolis, 2002. Disponível em: . Acesso em: 02 de novembro de 2010.

VASCONCELLOS, C. S. Planejamento: Plano de Ensino-Aprendizagem e Projeto Educativo. São Paulo: Libertat, 1995.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

PCN Matemática por Thiago Brañas de Melo


O desenvolvimento de projeto aparece no PCN Matemática – Ensino Fundamental quando o documento trata dos temas transversais. O documento sugere que se trabalhem nas aulas de matemática temas como: ética, orientação sexual, meio ambiente, saúde, pluralidade cultural e outros que se achar pertinente.

MATEMÁTICA E OS TEMAS TRANSVERSAIS

A interação do ensino de Matemática com os Temas Transversais é uma questão bastante nova. Centrado em si mesmo, limitando-se à exploração de conteúdos meramente acadêmicos, de forma isolada, sem qualquer conexão entre seus próprios campos ou com outras áreas de conhecimento, o ensino dessa disciplina pouco tem contribuído para a formação integral do aluno, com vistas à conquista da cidadania.

No intuito de reverter esse quadro, a alternativa do desenvolvimento de projetos vem sendo praticada por muitas escolas.

Os projetos proporcionam contextos que geram a necessidade e a possibilidade de organizar os conteúdos de forma a lhes conferir significado. É importante identificar que tipos de projetos exploram problemas cuja abordagem pressupõe a intervenção da Matemática, e em que medida ela oferece subsídios para a compreensão dos temas envolvidos. (PCN Matemática. Ensino Fundamental, p. 26)

Já no PCN Ciência da Natureza, Matemática e suas tecnologias - Ensino Médio, os projetos aparecem fortemente quando se trata de contextualizar os conteúdos específicos da matemática como, por exemplo, desenvolver projeto juntamente com a física para se trabalhar trigonometria ou buscar fenômenos físicos, geográficos e econômicos como temas para se trabalhar os conceitos de funções.

Outro item que a pedagogia de projetos contemplado nesse PCN é a questão de que o conhecimento fragmentado e desvinculado seja com a cultura do aluno, seja com as demais disciplinas atrapalha o aprendizado de matemática. Corroborando com isso, o documento traz que “se os conceitos são apresentados de forma fragmentada, mesmo que de forma completa e aprofundada, nada garante que o aluno estabeleça alguma significação para as idéias isoladas e desconectadas umas das outras”.

O critério central é o da contextualização e da interdisciplinaridade, ou seja, é o potencial de um tema permitir conexões entre diversos conceitos matemáticos e entre diferentes formas de pensamento matemático, ou, ainda, a relevância cultural do tema, tanto no que diz respeito às suas aplicações dentro ou fora da Matemática, como à sua importância histórica no desenvolvimento da própria ciência.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

RESOLUÇÃO Nº 4, DE 13 DE JULHO DE 2010 por Patrick

Fala rapaziada. Fiquei responsável por falar sobre o último item da parte A da quinta aula:

MEC CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO/ CÂMARA DE EDUCAÇÃO BÁSICA/ RESOLUÇÃO Nº 4, DE 13 DE JULHO DE 2010 (*) Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica – Artigos 17, 28 e 43

Abaixo coloquei os artigos e meus comentários em itálico. Sintam-se a vontade para comentar.

Art. 17. No Ensino Fundamental e no Ensino Médio, destinar-se-ão, pelo menos, 20% do total da carga horária anual ao conjunto de programas e projetos interdisciplinares eletivos criados pela escola, previsto no projeto pedagógico, de modo que os estudantes do Ensino Fundamental e do Médio possam escolher aquele programa ou projeto com que se identifiquem e que lhes permitam melhor lidar com o conhecimento e a experiência.

§ 1º Tais programas e projetos devem ser desenvolvidos de modo dinâmico, criativo e flexível, em articulação com a comunidade em que a escola esteja inserida.

§ 2º A interdisciplinaridade e a contextualização devem assegurar a transversalidade do conhecimento de diferentes disciplinas e eixos temáticos, perpassando todo o currículo e propiciando a interlocução entre os saberes e os diferentes campos do conhecimento.

Esse artigo parece bastante interessante. Até então existia algum tipo de lei, ou mesmo recomendação, que obrigasse as escolas a engajar alunos em projetos? Esse artigo é bem enfático ao dizer que os alunos podem escolher os que melhor os interessam e também que o tema deve conter todos os conteúdos.

Primeiro que, se o aluno pode escolher, ele terá uma motivação intrínseca para ir bem e segundo, os projetos serviriam naturalmente para quebrar a divisão entre disciplinas. Se um aluno passa por esse tipo de aprendizagem desde cedo, é bem possível que ele tenha uma visão, em nosso caso específico, de ciências bem melhor do que se tem atualmente.

António Cachapuz fala algo bonito sobre isso quando diz que “temos de rever e aprofundar o diálogo entre as várias ciências que o cartesianismo separou” e, principalmente, entre as ciências da natureza e as ciências sociais e humanas onde “quase tudo está por fazer”.

Parece-me também que essa regra cria abertura para projetos de qualquer tipo, desde estejam de acordo com os dois pontos citados. Portanto, acho que cabe também uma brecha para a inclusão de projetos CTS na escola.

Art. 28. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) destina-se aos que se situam na faixa etária superior à considerada própria, no nível de conclusão do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

§ 1º Cabe aos sistemas educativos viabilizar a oferta de cursos gratuitos aos jovens e aos adultos, proporcionando-lhes oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos, exames, ações integradas e complementares entre si, estruturados em um projeto pedagógico próprio.

§ 2º Os cursos de EJA, preferencialmente tendo a Educação Profissional articulada com a Educação Básica, devem pautar-se pela flexibilidade, tanto de currículo quanto de tempo e espaço, para que seja(m):

I - rompida a simetria com o ensino regular para crianças e adolescentes, de modo a permitir percursos individualizados e conteúdos significativos para os jovens e adultos;

II - providos o suporte e a atenção individuais às diferentes necessidades dos estudantes no processo de aprendizagem, mediante atividades diversificadas;

III - valorizada a realização de atividades e vivências socializadoras, culturais, recreativas e esportivas, geradoras de enriquecimento do percurso formativo dos estudantes;

IV - desenvolvida a agregação de competências para o trabalho;

V - promovida a motivação e a orientação permanente dos estudantes, visando maior participação nas aulas e seu melhor aproveitamento e desempenho;

VI - realizada, sistematicamente, a formação continuada, destinada, especificamente, aos educadores de jovens e adultos.

O EJA requer uma atenção especial para quem ensina. É inegável que os interesses e a própria disposição dos estudantes dessa modalidade são diferentes dos jovens. Além de mais experientes, muitos trabalham, tem família e obrigações que os mais novos ainda não possuem. Insistir em algo que não funciona nem com os mais jovens não pode dar certo.

O artigo explicita que há diferenças entre os tipos de ensino e que a instituição deve ter autonomia para avaliar o público e criar alternativas para o ensino que seja interessante para ele. As atividades devem ser diversificadas, pois precisam chamar a atenção, por exemplo, de um indivíduo que sempre chega à aula depois de um dia inteiro de trabalho.

O artigo ataca pontos realmente interessantes, os quais todos sabemos que são problemáticos para os estudantes do EJA. Eles precisam de recreação, precisam aprender algo na escola que ajude no trabalho presente, precisam estar motivados para não abandonarem a escola, etc.

O ensino através de projetos se encaixa como uma luva nessa questão. Por natureza, ele é motivador e desafiador. A solução de problemas concretos estimula a imaginação e requer uma motivação constante por parte do aluno. É um meio de socialização do grupo e acima de tudo, foge da rotina da “matéria no quadro”.

Para pessoas com mais experiência como eles, não faltam temas que façam parte da vida de pelo menos cada um deles. Também seria possível até integrar esses alunos com os alunos mais novos em algum tipo de projeto maior, dependendo da dinâmica da escola, promovendo uma maior socialização e troca de experiências entre pessoas tão diferentes que buscam os mesmos objetivos quando estimuladas corretamente.

Art. 43. O projeto político-pedagógico, interdependentemente da autonomia pedagógica, administrativa e de gestão financeira da instituição educacional, representa mais do que um documento, sendo um dos meios de viabilizar a escola democrática para todos e de qualidade social.

§ 1º A autonomia da instituição educacional baseia-se na busca de sua identidade, que se expressa na construção de seu projeto pedagógico e do seu regimento escolar, enquanto manifestação de seu ideal de educação e que permite uma nova e democrática ordenação pedagógica das relações escolares.

§ 2º Cabe à escola, considerada a sua identidade e a de seus sujeitos, articular a formulação do projeto político-pedagógico com os planos de educação – nacional, estadual, municipal –, o contexto em que a escola se situa e as necessidades locais e de seus estudantes.

§ 3º A missão da unidade escolar, o papel socioeducativo, artístico, cultural, ambiental, as questões de gênero, etnia e diversidade cultural que compõem as ações educativas, a organização e a gestão curricular são componentes integrantes do projeto político-pedagógico, devendo ser previstas as prioridades institucionais que a identificam, definindo o conjunto das ações educativas próprias das etapas da Educação Básica assumidas, de acordo com as especificidades que lhes correspondam, preservando a sua articulação sistêmica.

É evidente que devem existir regras nacionais, estaduais e/ou municipais que regem as escolas. Não pode cada um fazer o que quer com objetivos completamente distintos, onde uns tem mais chances de ter uma melhor formação do que outros. Contudo, o modo como essa chance deve se potencializar ao máximo depende de vários fatores, como o público-alvo, o professorado, a localização da escola, os turnos em que funciona, etc. Inegavelmente, cada região do país possui suas peculiaridades, pois não há como dizer que o sul do país é igual ao norte, ou sequer dizer que bairros da cidade do Rio de Janeiro são a mesma coisa.

Analisando todos os fatores acima mencionados e muitos outros, é plausível que cada escola crie seu próprio projeto político-pedagógico de modo a atender melhor seus alunos. Devemos lembrar sempre que a escola existe para eles, em primeiro lugar. Possivelmente, a comunidade no entorno da escola deverá ter problemas suficientes para serem explorados através de projetos escolares.

Obviamente que junto consigo, esses projetos trarão benefícios, principalmente na dimensão motivacional, visto que visarão à discussão e solução de problemas que podem afetar mais ou menos a vida dos alunos, sabendo-se que muitos moram na comunidade.

Como a escola tem autonomia para elaborar seu projeto, ela poderia aproveitar a oportunidade e incluir uma direção para que todos sigam, no que diz respeito aos projetos escolares. Poderia assim, dedicar uma parte a construção de projetos que sigam os princípios do artigo 17, privilegiando a articulação escola-comunidade e promovendo a contextualização e interdisciplinaridade, inclusive entre as diferentes áreas do conhecimento.